sábado, 14 de junho de 2014

Queria saber aonde foi parar a minha inspiração. Não consigo terminar nada que começo a escrever. Cadê a minha sensibilidade, que sempre fora tão aflorada? Logo agora, que já li tantos livros que poderiam me servir de inspiração, que refinaram meu vocabulário, que me aproximaram do mundo da literatura, logo agora, estou tão intima dos autores, sou capaz de ler obras rebuscadíssimas, mas não sou capaz de escrever uma linha sequer, não consigo externar meus sentimentos de forma alguma, como uma mão tampa uma boca que se cala, minha mente é tampada por algo, só não sei o quê. Eu era capaz de escrever coisas ótimas e profundas em um tempo que minha leitura era escassa, lia poucos livros que eram juvenis e toscos, e ouvia músicas de menos qualidade ainda. Minhas inspirações eram fundadas por sentimentos pateticamente platônicos, por amores que nunca aconteceram, sentimentos infantis e unilaterais, porém que eu me permitia alimentar dia a dia, que nasciam, cresciam e morriam sem depender de nada, apenas de um foco de atenção e da força da minha ilusão. Foi isso que eu perdi. Minha racionalidade me trouxe a um presente vazio, frio e escuro. Saí da atmosfera da infantilidade, do mundo cor de rosa, mundo que eu estive presa por tanto tempo, porém nesse mundo sempre estive protegida, sim, nesse mundo eu era feliz. Assim, com a destruição desse mundo, destruí também a Dayane que sempre fui, me tornando uma Dayane inteligente e ao mesmo tempo sem sentimentos, consciente, que nada abala, nada atinge, que tudo explica, que tudo sabe e tudo consegue reprimir com a razão. E aqui estou, sozinha, vazia, triste. E é fundamental para uma pessoa que deseja escrever que ela possua ao menos um motivo para isso, eu não tenho. Finalizo com um desabafo: Não é verdade o que li em um livro, que atraímos o que pensamos e que conseguimos tudo o que quisermos com o poder cósmico da mente. Já cansei de pensar e imaginar uma Eu feliz, com tudo o que sonho, pensar assim com o objetivo de atrair isso. Já cansei de usar essa e outras teorias tolas, que nos preenchem de otimismo, otimismo patético porque a prática é outra. Passam dias, semanas, meses e ANOS, e eu me encontro do mesmo jeito: sozinha, vazia, triste. Esqueceram de mencionar nesses livros quanto tempo temos que repetir os pensamentos positivos até que eles virem realidade. Talvez eu tenha esquecido de ler a frase que estava escrita a palavra nunca.

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