quarta-feira, 11 de junho de 2014

Era madrugada e eu não conseguia parar de contemplar suas costas nús. Seu corpo, inteiramente despido, era coberto apenas por um lençol, azul, com uma infinidade de desenhos de rosas roxas e brancas alinhadas a formas geométricas da mesma cor. Quis fixar essa imagem na minha memória, era a mais bela obra de arte, como uma pintura de Cezanne, que registrava uma natureza morta, porém a minha estava viva, tinha cheiro, nome e endereço. Eu não precisava ir a nenhum museu, a obra viva estava na minha frente. Só podia ter sido esculpida por um artesão, minuncioso e detalhista, esculpiu cada milimetro. Artista de uma obra só, gastou sua energia e criatividade toda nela, morreu em seguida, e ela se tornou única, incomparável, irrelutível, ninguém no mundo foi capaz de fazer coisa igual. Fazia silêncio. No meio do caos urbano, em um conjugado bem no meio do centro da cidade, em um prédio com uma casa colada na outra (isso me pertubava, as vezes parecia que eles estavam aqui dentro), com uma vizinhança irritavelmente barulhenta a qualquer hora do dia, mas hoje não. Fazia silêncio. O único som que pairava pelo quarto era o de nossas respirações. Até a respiração dela era bonita. Respiração pesada, de pessoa cansada, que dorme em paz. Pelo tempo que está dormindo com certeza já chegou no estágio dos sonhos. Com o que será que está sonhando? Quero que sonhe comigo. Eu agora sonho acordado. Estar com ela é um sonho, não quero acordar.

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