segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Já li muitos livros. Poetas que emprestam sua sensibilidade e me ajudam a ver a vida de forma metafórica e bela. Pensadores que me esclarecem a vida e o universo. Sei de tudo, onde começa o ponto e seu devido lugar. Mas nada, nada que eu leia e aprenda é capaz de explicar a misteriosa atração que sinto por alguém, não um alguém qualquer, mas um alguém entre milhares, que desperta um calor repentino que floresce no fundo da alma. Não adianta saber. Caminho rumo ao retrocesso, viro criança novamente, e apenas quero possuir o outro e ser possuída, como a criança que vê o mar pela primeira vez e corre, sem medo. Mas tenho medo. Não compreendo, não me rendo ao crescente desejo que se alastra pelo silencio. O querer tão raro e misterioso, que me entope e dilata. Não se tem o que fazer. Ninguém te ensina, ninguém realmente sabe. Só se vive, e se segue da mesma maneira no mesmo mundo mesmo sabendo que por dentro não sou a mesma, porque agora tem desejo.

domingo, 11 de outubro de 2015

Maio. Junho. Julho. Agosto. Setembro. Outubro. 6 meses. 2 estações. 19 luas. Quase 2 centenas de dias. Dias. Meses. Meio ano. Uma eu. Eu inteira. Metade ou nada por vezes. Um você. Um você que eu não vejo, eu não conheço. Eu nunca conheci.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

"Enquanto você para e espera Eu ando, invado Eu abro a porta e entro Enquanto você cala quieta Eu brigo, eu falo Eu berro, eu enfrento No canto dessa sala emperra Eu ligo, acerto Eu erro e eu tento Enquanto você fala: "Espera" Aflito eu fico E digo: "Eu não entendo." Não sei porque você Insiste em demorar Eu quero que você Diga já" Essa música há muito, já despertava minha atenção simplesmente pela doce melodia que transmite uma sensação de paz interior. Até que hoje prestei atenção à sua letra. Me vi nela. Ela se encaixa perfeitamente na minha voz. Um eu lírico desesperado, quente e intenso, que possui fortes sentimentos por um outro distante, indiferente e frio. Um eu que anseia por uma resposta, uma reação. Que liga, acerta, erra e tenta. Que não se conforma com a distância imposta pelo outro, que sente e quer logo, enquanto o outro demora. É linda. A intensidade, os sentimentos. Ser um ser que sente, que ama. Sobretudo, é necessário também ser um ser que sabe esperar. Esperar o tempo do outro, e não cobrar que ele siga o nosso. Enquanto eu mergulhava no P., ele nadava na direção oposta. Recentemente ele declarou, que me acha incrível, "foda", que adora estar comigo, mas que se sentiu cobrado. Ok. Parei pra pensar e: 1- Eu nunca respeitei sua distância 2- sua história 3- sua particularidade. Antes de pensar nisso, eu nunca entendia o por quê da declaração, visto que, conscientemente nunca cobrei rótulos de nossa relação, e nada, nada além da sua presença. Até que hoje, ao ouvir essa música, percebi o quanto o cobrei afetivamente. Eu quero você, com todas as forças, com todo meu querer. Mas vc não é necessariamente obrigado a me querer com a mesma intensidade, a me querer além da sua vontade pessoal ou capacidade. Existe uma diferença entre amar e querer ser amado. É preciso saber receber amor.
Estava seguindo com êxito na missão de apagar você dos meus pensamentos, dissipar todo e qualquer vestígio das lembranças e aniquilar e desvanecer qualquer fresta da luz da saudade, afim de cessar a angústia que me acolhia ao recordar seu rosto. Me vesti com a melhor roupa, me envolvi com o mais adocicado perfume, cobri minha cara lavada com suaves cores, para ornamentar meus atributos, para sair por aí. Revesti-me de cachos. Minha volumosa cabeleira cobrindo-me como um véu, uma cascata de cachos coloridos adornando meu rosto, esvoaçando-se com o toque do vento e dançando em delicados e ritmados movimentos no ar, compondo a obra de arte da vitalidade da juventude, a vitalidade feminina, a exposição da flor da idade e do desejo. Enveredei-me por ruas afora, sentindo o espírito da boemia das vielas e ruas do Rio de Janeiro apossar-se da minha aura. Observei pessoas que usufruiam de toda liberdade que a noite pode lhes oferecer. Noite quente. Lua linda, grande e amarela que ali parecia aproximar-se e quase nos engolir, compondo aquele cenário fascinante de pessoas e músicas pitorescas. Lugar cheio de cheiro, de cor, de luz e de calor. Até que ali, de subito, meu olhar encontrou com o seu capcioso olhar. Teu olhar parece um imã, onde o meu é subtamente atraído por tal magnetismo. Quase cuspi meu coração, que batia desvairado quase a machucar o peito que o envolve. Os sons sumiram, as cores se calaram. Naquela multidão só havia tu e eu. Te cumprimei indiferente. Conversei com teus amigos enquanto tu desviavas o olhar. Consegui disfarçar minha respiração ofegante que tentava confundir minha fala. Um calor me soprava o ouvido a ponto de confundir-me. Saí dali. Todo o exercício do esquecimento desapareceu naquela atmosfera que nossas almas dividiram. Me esquivei do teu encanto e parti, pro mais longe que pude. Não conseguia desviar meu olhar e não pude suportar isso. Fui pra mais longe, mas não encontrei maneira de desviar vc de mim. Vi-te passar, ali sozinho na multidão. Minha vontade era corromper aquela multidão de gente, agarrar e beijar-te, e deixar as lágrimas caírem e denunciar tudo que se passa no meu interior. Mas, te deixei ir.....

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Eu não quero mais.

Não quero mais. Não quero te usar como alimento das minhas dependências emocionais. Não quero mais conviver com essa penosa, deprimente e patética necessidade de você nesses quase 3 meses. Minha necessidade e a saudade, que apertou meu peito e me fez de mandar uma descontextualizada mensagem expondo esse sentimento ilusório, não é de você, e sim do ser criado por mim mesma, ser utópico e existente apenas dentro da minha imaginação e expectativas. Tivemos um breve 1 mês. 30 e poucos dias de "convivência", encontros, sexo, troca de mensagens, ligações, cuidados e carinho. Umas escassas 5 semanas de acertos e erros, onde me entreguei, fui eu mesma e também fui quem não sou. Fui um alguém que supunha que tinha algo com você. Nos últimos quase 3 meses seguidos a partir início dos nossos desentendimentos, apenas 1 encontro aconteceu. Encontro seco, amargo, distante. Onde estava ali mais pra me impor do que pra me entregar. Seguidos por intermináveis dias relutando pra te esquecer, esperançosa por um encontro, buscando não te buscar, procurando uma forma, uma alternativa de não te querer. Eu me doei, fui sincera, te quis de verdade. Projetei em você o que eu sentia. Você só queria sexo sem compromisso. Foi oportunista na minha entrega, na minha ingenuidade, na abertura do meu lar. Disse de forma legítima e com todas as letras possíveis onde qualquer cego poderia ler que não queria se entregar, que não queria compromisso. Eu me fiz de forte, disse que isso também não era do meu interesse. Menti. Eu queria sim, um compromisso com aquele ser, que até então e dentro das minhas projeções e expectativas, era o que eu queria pra mim. E mais doloroso que isso foi a sensação de objetificação. Ser usada para um "fast-fode", coisa que eu acho tão repugnante e está impregnado no comportamento atual das pessoas (Ou será que as coisas sempre foram assim?). Enfim, meu sonho de ontem e o desalinho de hoje, pior, o texto que está sendo escrito agora e todos os outros que escrevi, estão sendo escritos para alguém que não existe, para algo que nunca aconteceu. 3 meses de perda de tempo e desperdício de tempo, pensamento, sentimento e preciosa energia posterior a 1 mês de ilusão, de um falso "amor", vivido só por mim. Vivemos assim, nos enganando, nos sabotando. Está nas nossas mãos o poder de se livrar desses sentimentos que se equiparam a amarras, que pesam como correntes. E a partir de agora, eu não quero mais. Eu me apodero de mim.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Finalmente posso dizer que o dia chegou. Tão esperado dia. Triste dia. Não sinto mais nada por você. Você não passa de uma lembrança de desejos, medos e erros. Não te quero mais. Tu não me angustias mais. Minhas pernas não tremem, as borboletas não mais voam. A indiferença que nos trouxe até aqui se instalou no meu ser. Teu nome não me faz sentido, não me faz sentir. É bom. Não sinto mais aquela sufocante sensação do querer e não ter. É ruim. Pensar em tudo o que poderíamos ter sido e não fomos, tudo o que fomos e deixamos morrer. É ruim ver que perdemos algo que nunca nos pertenceu, e que, talvez, seria lindo. Minha nova batalha será não pensar nos "e se", e nos "talvez". Batalha menos dolorosa, que é facilmente anestesiada pela falta de expressão mútua. Eu consegui sim, superar você. Eu vou evitar a chegada e o desejo e a tristeza pelo que foi perdido. Só não vou perder minha vontade de amar. Não vou deixar de lembrar das minhas frustrantes tentativas de possuir um amor, um bem, um chamego pra chamar de meu, só meu. É horrível ter tanto amor e não compartilhar. Me visto dele, mas vamos combinar: Amar em par é lindo. Aprecio essa beleza aqui, do meu canto, e espero ela chegar a mim. Ela vai chegar, eu sei...

sábado, 27 de junho de 2015

Hoje quando acordei, em uma bela manhã ensolarada de inverno, amaldiçoei tamanha luz. A claridade me incomodou e todas as cores não fizeram nenhum sentido. Me vesti toda de preto. Logo eu, que amo as cores, as flores. Me vesti transparecendo o que estava sentindo por dentro. Me vesti pro seu enterro. Pra exumação do seu corpo e pra extinção da sua vida em mim. Seu corpo, sua vida. Ambos tão nítidos e vigorosos em minhas lembranças, e de repente, enfim, tiveram uma morte súbita. Morreram. Me vesti toda de preto, pra afastar teu fantasma e celebrar teu luto. A partir de então, está consumado, tudo o que deveras sentia está devidamente enterrado. Amanhã, quando um novo dia nascer, eu me vestirei de flores. O sol vai brilhar, amarei a luz. Você não passará de uma doce lápide q quem prestei um curto momento de luto. E estará para sempre enterrado no cemitério dos amores mal vividos.