quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Estava seguindo com êxito na missão de apagar você dos meus pensamentos, dissipar todo e qualquer vestígio das lembranças e aniquilar e desvanecer qualquer fresta da luz da saudade, afim de cessar a angústia que me acolhia ao recordar seu rosto. Me vesti com a melhor roupa, me envolvi com o mais adocicado perfume, cobri minha cara lavada com suaves cores, para ornamentar meus atributos, para sair por aí. Revesti-me de cachos. Minha volumosa cabeleira cobrindo-me como um véu, uma cascata de cachos coloridos adornando meu rosto, esvoaçando-se com o toque do vento e dançando em delicados e ritmados movimentos no ar, compondo a obra de arte da vitalidade da juventude, a vitalidade feminina, a exposição da flor da idade e do desejo. Enveredei-me por ruas afora, sentindo o espírito da boemia das vielas e ruas do Rio de Janeiro apossar-se da minha aura. Observei pessoas que usufruiam de toda liberdade que a noite pode lhes oferecer. Noite quente. Lua linda, grande e amarela que ali parecia aproximar-se e quase nos engolir, compondo aquele cenário fascinante de pessoas e músicas pitorescas. Lugar cheio de cheiro, de cor, de luz e de calor. Até que ali, de subito, meu olhar encontrou com o seu capcioso olhar. Teu olhar parece um imã, onde o meu é subtamente atraído por tal magnetismo. Quase cuspi meu coração, que batia desvairado quase a machucar o peito que o envolve. Os sons sumiram, as cores se calaram. Naquela multidão só havia tu e eu. Te cumprimei indiferente. Conversei com teus amigos enquanto tu desviavas o olhar. Consegui disfarçar minha respiração ofegante que tentava confundir minha fala. Um calor me soprava o ouvido a ponto de confundir-me. Saí dali. Todo o exercício do esquecimento desapareceu naquela atmosfera que nossas almas dividiram. Me esquivei do teu encanto e parti, pro mais longe que pude. Não conseguia desviar meu olhar e não pude suportar isso. Fui pra mais longe, mas não encontrei maneira de desviar vc de mim. Vi-te passar, ali sozinho na multidão. Minha vontade era corromper aquela multidão de gente, agarrar e beijar-te, e deixar as lágrimas caírem e denunciar tudo que se passa no meu interior. Mas, te deixei ir.....
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário