quinta-feira, 6 de agosto de 2015

"Enquanto você para e espera Eu ando, invado Eu abro a porta e entro Enquanto você cala quieta Eu brigo, eu falo Eu berro, eu enfrento No canto dessa sala emperra Eu ligo, acerto Eu erro e eu tento Enquanto você fala: "Espera" Aflito eu fico E digo: "Eu não entendo." Não sei porque você Insiste em demorar Eu quero que você Diga já" Essa música há muito, já despertava minha atenção simplesmente pela doce melodia que transmite uma sensação de paz interior. Até que hoje prestei atenção à sua letra. Me vi nela. Ela se encaixa perfeitamente na minha voz. Um eu lírico desesperado, quente e intenso, que possui fortes sentimentos por um outro distante, indiferente e frio. Um eu que anseia por uma resposta, uma reação. Que liga, acerta, erra e tenta. Que não se conforma com a distância imposta pelo outro, que sente e quer logo, enquanto o outro demora. É linda. A intensidade, os sentimentos. Ser um ser que sente, que ama. Sobretudo, é necessário também ser um ser que sabe esperar. Esperar o tempo do outro, e não cobrar que ele siga o nosso. Enquanto eu mergulhava no P., ele nadava na direção oposta. Recentemente ele declarou, que me acha incrível, "foda", que adora estar comigo, mas que se sentiu cobrado. Ok. Parei pra pensar e: 1- Eu nunca respeitei sua distância 2- sua história 3- sua particularidade. Antes de pensar nisso, eu nunca entendia o por quê da declaração, visto que, conscientemente nunca cobrei rótulos de nossa relação, e nada, nada além da sua presença. Até que hoje, ao ouvir essa música, percebi o quanto o cobrei afetivamente. Eu quero você, com todas as forças, com todo meu querer. Mas vc não é necessariamente obrigado a me querer com a mesma intensidade, a me querer além da sua vontade pessoal ou capacidade. Existe uma diferença entre amar e querer ser amado. É preciso saber receber amor.
Estava seguindo com êxito na missão de apagar você dos meus pensamentos, dissipar todo e qualquer vestígio das lembranças e aniquilar e desvanecer qualquer fresta da luz da saudade, afim de cessar a angústia que me acolhia ao recordar seu rosto. Me vesti com a melhor roupa, me envolvi com o mais adocicado perfume, cobri minha cara lavada com suaves cores, para ornamentar meus atributos, para sair por aí. Revesti-me de cachos. Minha volumosa cabeleira cobrindo-me como um véu, uma cascata de cachos coloridos adornando meu rosto, esvoaçando-se com o toque do vento e dançando em delicados e ritmados movimentos no ar, compondo a obra de arte da vitalidade da juventude, a vitalidade feminina, a exposição da flor da idade e do desejo. Enveredei-me por ruas afora, sentindo o espírito da boemia das vielas e ruas do Rio de Janeiro apossar-se da minha aura. Observei pessoas que usufruiam de toda liberdade que a noite pode lhes oferecer. Noite quente. Lua linda, grande e amarela que ali parecia aproximar-se e quase nos engolir, compondo aquele cenário fascinante de pessoas e músicas pitorescas. Lugar cheio de cheiro, de cor, de luz e de calor. Até que ali, de subito, meu olhar encontrou com o seu capcioso olhar. Teu olhar parece um imã, onde o meu é subtamente atraído por tal magnetismo. Quase cuspi meu coração, que batia desvairado quase a machucar o peito que o envolve. Os sons sumiram, as cores se calaram. Naquela multidão só havia tu e eu. Te cumprimei indiferente. Conversei com teus amigos enquanto tu desviavas o olhar. Consegui disfarçar minha respiração ofegante que tentava confundir minha fala. Um calor me soprava o ouvido a ponto de confundir-me. Saí dali. Todo o exercício do esquecimento desapareceu naquela atmosfera que nossas almas dividiram. Me esquivei do teu encanto e parti, pro mais longe que pude. Não conseguia desviar meu olhar e não pude suportar isso. Fui pra mais longe, mas não encontrei maneira de desviar vc de mim. Vi-te passar, ali sozinho na multidão. Minha vontade era corromper aquela multidão de gente, agarrar e beijar-te, e deixar as lágrimas caírem e denunciar tudo que se passa no meu interior. Mas, te deixei ir.....