terça-feira, 28 de maio de 2013

Entram, sentam em silêncio, olham pro nada, fecham os olhos, lêem seus livros, mechem em seus celulares, escutam músicas. Rostos vazios. Meu parque de diversão. Gosto de brincar. Adivinhar, supor. De onde vieram, pra onde estão indo, o que estão pensando, o que já viveram até ali, o quando mais irão viver… Vidas. Sinto vontade de dizer um olá e perguntar se estão bem. “Por que ninguém nunca o faz?!”, penso. Divido um pequeno espaço com estranhos. Se dividimos até o mesmo ar por que não podemos dividir a dor, ou a alegria? Imagino como deve ser ruim segurar uma dor no peito por horas e não poder chorar. Ou uma alegria muito alegre e não poder sorrir. Todos ridiculamente com medo do ridículo. Se ao menos compartilhássemos… assim a dor sessaria um pouco, e a alegria se multiplicaria um muito. Assim aqueles agoniantes poucos metros quadrados se expandiriam. Mas não o fazemos. Fim da viajem. Fim da brincadeira.

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